Fabricando crenças e culpas
Postado em | 26 de agosto de 2009 | Comente!!
Pesquisadores da Universidade de Warwick, no Reino Unido, investigaram a formação de falsas crenças e os atos de confissão, empregando vídeos editados de falsos comportamentos.
Para isso, os sujeitos foram submetidos a um jogo de perguntas e respostas no computador em que eles tinham que apostar dinheiro. O objetivo era arrecadar a maior soma de dinheiro possível respondendo corretamente as questões. Se eles acertassem uma pergunta, um grande símbolo verde de acerto (uma espécie de v em que a porção da esquerda é menor) aparecia na tela e o sujeito devia pegar o valor ganho da pilha de dinheiro do banco e transferi-lo para a sua pilha. Caso ele errasse a resposta, um grande X vermelho aparecia na tela e o sujeito devia pagar ao banco. A difilculdade da tarefa era ajustada de modo a produzir uma taxa de acerto em torno de 1/3 (acertar 5 das 15 questões propostas). Durante todo o experimento os sujeitos eram filmados. Após o término do jogo os sujeitos eram liberados e deviam retornar algumas horas depois para continuar a série de experiências programadas.
Entre as sessões, os vídeos eram editados de modo a exibirem uma situação que configurava “roubo”: o sujeito pegando dinheiro da pilha do banco e colocando na sua pilha enquanto a tela do computador exibia um X vermelho.
Ao retornarem para a segunda sessão os sujeitos ouviam a acusação de que haviam trapaceado. A partir desse ponto os sujeitos eram divididos em dois grupos. Para um grupo era dito que existia uma prova em vídeo, enquanto que para o outro era mostrado o vídeo da suposta trapaça. Após isso, era pedido para que os sujeitos assinassem um termo de confissão da trapaça e aguardassem em outra sala para falar com o pesquisador responsável pelo estudo. Na sala de espera havia um auxiliar, que dizia estar participando de outro grupo de experimentos. O auxiliar puxava conversa com o sujeito procurando coletar informações sobre o modo como este estava interpretando a situação.
Os resultados foram surpreendentes. Em primeiro lugar todos os sujeitos assinaram o termo de confissão. As análises das conversas entre os sujeitos e os auxiliares na sala de espera mostraram que 63% acreditavam completamente que haviam executado o equívoco com o banco e 20% internalizaram parcialmente o ato, dizendo que eles talvez tivessem cometido o ato alegado. Além do protocolo provocar confissões falsas, os sujeitos internalizam a suposta ação e a tomaram como verdade.
O artigo pode ser baixado no link abaixo:
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