| Teoria Multi-fatorial da Enganação |
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| Notícias - Mentira | |||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
| Seg, 06 de Julho de 2009 15:47 | |||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
A teoria multi-fatorial aborda a questão do porquê podem ocorrer diferenças no comportamento não-verbal entre quem fala a verdade e quem mente. O cerne da teoria afirma que: 1) o fato das pessoas mentirem não muda automaticamente seu comportamento; e 2) as dicas que ocorrem quando uma pessoa mente também podem ocorrer quando elas falam a verdade. Vamos analisar algumas dicas não-verbais relacionadas à enganação pela perspectiva dessa teoria e vamos mostrar que um sinal inequívoco de enganação não existe. De fato, a grande maioria das dicas não-verbais parecem não estar relacionadas à enganação. Porém, para algumas dicas, uma fraca relação com o comportamento de enganação tem sido sugerida. Três fatores podem influenciar as dicas de enganação emitidas:
Cada um desses fatores pode influenciar o comportamento não-verbal do mentiroso e enfatizar um aspecto diferente da enganação. 1. As Emoções Diversas emoções podem ser despertadas durante o ato de mentir, porém as três mais usuais são: culpa, medo e deleite. Estas emoções foram abordadas mais detalhadamente na postagem "Descobrindo a Mentira". Estas três emoções podem influenciar o comportamento do mentiroso de diversas formas. A culpa, por exemplo, pode provocar uma diminuição do contato visual porque o mentiroso não ousa olhar o alvo diretamente nos olhos. Medo pode desencadear respostas fisiológicas de alerta ("arousal") e isto pode levar a um aumento de comportamentos como piscadelas de olho, gestos auto-adaptadores (se tocar, catar pelos na roupa, coçar a cabeça, etc.), hesitações na fala (hum, ah, etc.), erros de pronúncia (gagueira, repetições de palavras e frases, omissões, etc.) e aumento no tom de voz. As emoções negativas, como culpa e medo, também podem gerar respostas comportamentais de retirada como: menos contato ocular, menor orientação corporal (o quanto as pessoas ficam frente-a-frente) e diminuição de gestos ilustradores. O excitamento pode mobilizar sinais de alegria e contentamento como aumento de movimentos corporais gerais e sorrisos. 2. Esforço Cognitivo Em primeiro lugar, a mentira requer um grande esforço mental. Diversos aspectos do ato de mentir contribuem para esse aumento na demanda por recursos cognitivos.
Um segundo aspecto que demanda muito esforço cognitivo é que os mentirosos precisam criar uma aura de credibilidade ao seu redor, pois as consequências de serem pegos são altas. Normalmente, as pessoas inocentes assumem que a verdade é um dado óbvio aos outros e não fazem muitos esforços para que eles creiam nela. Por outro lado, os mentirosos são inclinados a monitorar e controlar suas condutas de tal meneira que pareçam honestos. Prestar atenção à sua conduta é uma atividade que consome muito recurso cognitivo. Terceiro, dado que o mentiroso necessita permanentemente parecer digno de confiança, ele tende a monitorar as reações dos interlocutores de maneira atenta e cuidadosa para verificar se as suas estórias estão sendo aceitas. Esse monitoramento dos outros também exige recursos mentais. Quarto, o mentiroso precisa suprimir a verdade enquanto ele está mentindo. Quinto, enquanto a verdade é acionada e acessada naturalmente, a mentira é intensional e requer processamento cognitivo adicional. A literatura científica sobre as reações comportamentais associadas à realização de tarefas complexas que demandam muitos recursos cognitivos diz que durante a execução dessas tarefas são observados:
3. Tentativa de controlar o comportamento O mentiroso tende a achar que o interlocutor presta atenção às suas reações comportamentais para julgar se ele está ou não mentindo. Assim, ele pode tentar controlar o seu comportamento, evitando reações que supostamente revelam sua desonestidade e intensificando aquelas que transmitam credibilidade. Alguns comportamentos são fáceis de controlar enquanto outros são extremamente difíceis, pois são reações automáticas do organismo quando emoções fortes ocorrem ou quando nos deparamos com situações de elevado nível de estresse. Outra dificuldade no controle comportamental é que normalmente as pessoas não tem consciência de seus comportamentos usuais. Damos muita atenção à dimensão verbal da comunicação e negligenciamos em larga medida nossos comportamentos não verbais. Como temos pouca consciência do nosso comportamento não verbal, é improvável que tentmos controlá-lo ao contar uma mentira. A abordagem da tentativa de controle comportamental prediz que os comportamentos que são mais difíceis de se controlar são aqueles que apresentam maior probabilidade de denunciar a enganação. De acordo com este raciocínio o olhar é pouco confiável como dica de enganação. O olhar é empregado para indicar o grau de interesse na conversa, mas também é usado para aumentar o poder de persuasão. O grande potencial comunicativo do olhar aliado ao total controle consciente que possuímos deste comportamento faz dele uma dica pouco confiável da mentira. Isso contraria o senso popular e a crença de muitas autoridades policiais que acreditam que o contato visual é um fator de revelação da mentira. Por outro lado, movimentos corporais (gestos) são menos salientes na comunicação e recebem menos atenção dos outros. Assim, as pessoas tem menos prática em tentar controlá-los de maneira deliberada. Aspectos não verbais da fala também não recebem muita atenção e são difíceis de serem manipulados conscientemente. Dentre os aspectos não verbais da fala destacamos as hesitações, os erros de pronúncia e as pausas. Uma outra dica que pode denunciar a mentira em função de um controle comportamental inadequado é a falta de vibração, envolvimento e entusiasmo com o assunto que está sendo falseado.
Fatores que influenciam os três processos A personalidade do mentiroso e as circunstâncias da situação em que a mentira ocorre interferem na manifestação das reações emocionais, na demanda cognitiva e na tentativa de se controlar. 1.1) Culpa
1.2) Medo
1.3) Excitação (deleite)
2) Esforço cognitivo
3) Controle do comportamento
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