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Quando Nós Ficamos Emocionados? E-mail
Notícias - Emoções
Dom, 19 de Abril de 2009 17:36

A maior parte das vezes nossas emoções nos servem bem. Porém, algumas vezes nossas emoções nos criam problemas.

Nossas reações emocionais podem ser inapropriadas de três maneiras distintas:

  1. Nós sentimos e exibimos a emoção correta, porém na intensidade errada;
  2. Nós sentimos a emoção apropriada, porém nós a expressamos da maneira errada;
  3. Nós sentimos a emoção errada.

Primeiramente nós trataremos do terceiro caso. Por que uma emoção inapropriada é acionada? Nós podemos eliminar um gatilho emocional completamente? Caso nós não possamos eliminá-lo, nós podemos pelo menos enfraquecê-lo, de tal forma que nós não reajamos inapropriadamente?

Muitas vezes as pessoas reagem de maneiras distintas ao mesmo evento, todavia há gatilhos que geram a mesma reação emocional em todo mundo. Como isto  ocorre? Como nós adquirimos nosso conjunto próprio de gatilhos emocionais e ao mesmo tempo reagimos exatamente da mesma maneira que todo mundo quando determinados gatilhos são acionados?

Nós, seres humanos, compartilhamos alguns gatilhos. Mas há gatilhos que são não somente específicos de determinada cultura, eles são individuais. Como nós adquirimos gatilhos emocionais?

Nós não ficamos emocionados o tempo todo e com todas as coisas. As emoções vêm e vão. Algumas pessoas são mais emocionais do que outras, mas mesmo estas permanecem muitas vezes sem sentir emoção alguma durante longos intervalos de tempo.

O que faz com que nos tornemos emocionado? O caminho mais comum no qual uma emoção ocorre é quando percebemos, de maneira correta ou não, algo que afeta nosso bem estar, para melhor ou para pior, está ocorrendo ou está para acontecer. Esta não é a única forma de nos emocionarmos, mas certamente é a mais importante.

As emoções nos preparam para lidarmos com eventos importantes sem que tenhamos que pensar conscientemente sobre o que fazer. A maior parte das vezes isto é bom para nós.

As emoções produzem mudanças em áreas do nosso cérebro que nos mobilizam para lidar com aquilo que as provocou. Alterações no sistema autonômico, mudança no ritmo cardíaco e respiratório, sudorese e alterações no padrão de irrigação sanguineo ocorrem e nos preparam para que tomemos diferentes ações. Emoções também emitem sinais como: mudanças nas expressões faciais, voz e postural corporal. Nós não escolhemos conscientemente tais mudanças, elas simplesmente ocorrem.

Quando as emoções são fortes e ocorrem abruptamente nós não conseguimos avaliar conscientemente o evento e as nossas reações.  A detecção dos fatores que geram as reações emocionais também independem de nossa atenção consciente. Se o processo de mobilização das emoções ocorre lentamente, nós podemos vir a tomar consciência do que está acontecendo.

Algumas situações exigem avaliações e reações muito rápidas e, nestes casos, os eventos devem ocorrer sem a necessidadede de avaliação e processamento conscientes. Assim nós devemos possuir mecanismos automáticos de avaliação que vasculham continuamente o ambiente, detectando quando algo importante ao nosso bem-estar, ou sobrevivência, está ocorrendo. Estes mecanismos serão chamados de auto-avaliadores.

Agora nós voltaremos à questão de como pode haver gatilhos emocionais que são universais e outros que são específicos dos indivíduos.

Os auto-avaliadores são sensíveis ao que? Como estes auto-avaliadores se tornaram sensíveis a tais gatilhos? As respostas a estas questões irão nos dizer porque nós temos uma emoção quando determinado evento ocorre. Estas respostas também nos permitirão dizer se é possível mudar aquilo que produz uma emoção.

Nós podemos inferir algo sobre quais são os eventos para os quais nosso auto-avaliadores são sensíveis examinando quando nossas emoções ocorrem. A maior parte do nosso conhecimento advêm de questionários ou entrevistas nos quais é solicitado que as pessoas se relembrem das emoções que sentiram em determinadas circunstâncias. Este tipo de informação se chama pós-racionalização. O principal problema com esse tipo de informação é que ela pode ser parcial e esterotipada, pois ela passa pelos filtros da percepção consciente e daquilo que ela consegue se lembrar. Há ainda a possibilidade que a pessoa manipule o conteúdo da descrição para impressionar o ouvinte. Apesar desses problemas, as descrições desse tipo podem nos ajudar.

Nós somos inatamente sensíveis a alguns eventos, ou seja, quando um evento específico ocorre e nós o percebemos uma emoção é acionada. Sob esta base de gatilhos emocionais inatos, age o processo de aprendizagem onde os eventos do dia-a-dia passam a ser interpretados como novos gatilhos emocionais e são adicionados aos eventos universais antecedentes, expandindo aquilo ao que os eventos auto-avaliadores são sensíveis. Estes eventos são adições ou elaborações aos eventos universais. Eles não são os mesmos para todas as pessoas.

Wally Friesen e Paul Ekman propuseram a existência de sete emoções básicas e Lazarus as denominou temas relacionais centrais.

Quando nós encontramos um tema ele dispara uma emoção sem necessitar de muita avaliação. As variações aprendidas dos temas podem demorar mais tempo para serem analisadas pelos auto-avaliadores. Quanto mais afastada do tema, mais tempo ela pode demorar para acionar uma emoção. Isto acontece até o ponto em que avaliações reflexivas ocorrem. Neste tipo de avaliação nós temos consciência dos processos de avaliação que estam acontecendo.

Os principais temas são inatos, não aprendidos. Apenas as variações e elaborações dos temas é que são aprendidas. Nós nascemos preparados par reagir emocionalmente a eventos que são relevantes à nossa sobrevivência, isto desde a época em que eramos caçadores-coletores. Os temas para os quais nossos auto-avaliadores estão constantemente em alerta e vasculhando o ambiente, normalmente sem o nosso conhecimento consciente, foram selecionados durante o curso da evolução.

Muitas vezes nós respondemos emocionalmente a conteúdos que foram importantes para nós na nossa infância, mas que não são mais relevantes na atualidade. Nós podemos nos ver respondendo de maneira inapropriada a coisas que não fazem mais sentido na vida adulta.

As coisas que aprendemos cedo na vida podem ter grande força e serem difíceis de modificar. É como se os conteúdos aprendidos anteriormente servissem de base para a construção de conteúdos futuros e estes novos conteúdos reforçam os anteriores.

Os nossos mecanismos automáticos de auto-avaliação ficam vasculhando o ambiente em busca de qualquer coisa que se assemelhe ao que está armazenado na nossa base de dados emocional de alerta. Parte do que está armazenado nesta base de dados tem origem genética e outra parte é decorrente de nossa experiência individual.

Esta base de dados é aberta. Informações são adicionadas o tempo todo. Por toda nossa vida nós encontraremos novos eventos que podem ser interpretados pelos auto-avaliadores automáticos como similares a um determinado tema ou variação armazenada na base de dados.

Embora as emoções sejam acionadas, na maior parte das vezes, por avaliadores automáticos, esta não é a única forma de se provocar emoções. Nós consideraremos outras oito formas de se gerar emoções.

Muitas vezes a emoção se inicia em função de avaliação reflexiva na qual nós consideramos conscientemente o que está ocorrendo, enquanto não temos certeza do que ela significa. Conforme a situação se desenvolve e o nosso conhecimento da situação avança, alguma coisa dispara; ela se encaixa em algo da nossa base de dados emocionais e os mecanismos de avaliação automática entram em ação. Avaliações reflexivas lidam com situações ambíguas, situações para as quais os mecanismos de avaliação automática não estão ajustados.

Há um preço a se pagar pela avaliação reflexiva - tempo. O lado positivo é que podemos influenciar a emoção resultante quando a avaliação reflexiva ocorre. Para que isso aconteça temos que ter bem mapeados e definidos os gatilhos emocionais mais importantes ("hot triggers"); ou seja, as variações específicas dos temas universais que são mais proeminentes nas nossas vidas para cada emoção.

Você também pode se emocionar quando se lembrar de uma cena do passado. nós podemos escolher nos lembrar da cena, retrabalhando-a em nossa mente, ir até ela para entender o que aconteceu, ou o que nós poderíamos ter feito para que as coisas fossem diferentes.

Imaginação é outro caminho pelo qual uma reação emocional pode ser gerada. Se nós usarmos nossa imaginação para criar cenas que nós sabemos que nos provocará reações emocionais, nós podemos ser capazes de manipular um gatilho específico.

Falar sobre experiências emocionais passadas também pode mobilizar emoções. Muitas vezes o simples ato de falar sobre um episódio emocional faz com que experimentemos novamente uma emoção, exatamente da mesma forma que ocorreu na situação original.

Re-experienciar os sentimentos que nós vivenciamos num episódio emocional passado pode trazer benefícios. Ela pode nos dar a chance de levar as coisas para um fim diferente.

Todos nós podemos sentir as emoções que os outros sentem, sentindo emoções empaticamente. Mas isto só acontece se nós nos identificarmos com a outra pessoa. A emoção sentida pela pessoa que se identifica com a outra normalmente é a mesma, todavia algumas vezes podemos sentir outras emoções.

Outra forma de sentir emoção é reproduzindo os movimentos faciais característicos das emoções. Esta simples ação provoca a emoção associada ao padrão de movimentação facial e também provoca mudanças fisiológicas.

 

Fonte: Ekman, P. (2003). Emotions revealed: recognizing faces and feelings to improve communication and emotional life. New York: Henry Holt and Company.

 

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